30.3.11

Credibilidade zero

75% das pessoas que lêem isto é por engano , porque andam à procura da definição de "Ave de Arribação". 10% vêm cá porque partilham comigo o interesse pelos barcos e pela navegação , 5% são meus amigos que querem ver a quantas ando e quanto ao resto não faço ideia.

Sendo que tão cedo não há barcos nem viagens , isto serve-me mais para falar de coisas sobre as quais se calhar devia estar calado mas a asneira é livre e como não tenho ambições ou objectivos de espécie nenhuma para este blog continuo nestas alturas a escrever sobre coisas que me interessam para além das do costume, coisas que ainda me conseguem enervar depois de anos a seguir a política a espaços , tanto a Portuguesa como a estrangeira. Uma delas é a relutância dos políticos em assumir as responsabilidades. Quando ainda ontem uma agência de rating cortou outra vez a graduação da dívida Portuguesa o nosso Primeiro Ministro veio falar ...do PSD. Quem manda neste país há muitos anos é o PS , e pela lógica mais elementar é ao PS que cabem os louros do que foi bem feito ( alguma há-de ter sido bem feita...) e a responsabilidade da situação em que está o país. Mas não. Como se o PS tivesse andado a governar irrepreensivelmente durante este tempo todo e a desgraça iminente se deva exclusivamente à oposição. E são estas mesmas pessoas que sem um mínimo de vergonha (se a tivessem se calhar não eram políticos) vêm pedir o voto nas eleições que se seguem. Não chegou. Não há provas suficientes da qualidade , competência e honestidade deste pessoal , querem ser governo outra vez. E o mais interessante é que se calhar vão ganhar , ou vão lá voltar por mérito de uma ou outra coligação.

Pelo PSD , também ontem o Passos Coelho disse logo a seguir , e cito de memória: " tem início hoje um processo de elaboração de uma alternativa política , de lançamento das bases para blah blah blah.... ". Desculpe , importa-se de repetir? Tem início HOJE? Andaram a fazer concretamente o quê , se não a trabalhar numa alternativa? Não devia ser isso a oposição? Começa hoje?

E o FMI , até diz o Lula que seria muito mau para o país. Muito mau seria declarar falência e deixar os credores a arder , olhem para a Argentina , temos crise profunda para uma década ou duas. O Sócrates nesta altura é como as direcções dos clubes de futebol : quando vêm reiterar a confiança no treinador é sinal que muito em breve está despedido. Isto de andar a dizer que Portugal não vai precisar de ajuda externa não serve o interesse de ningúem porque desafia a realidade , e quando finalmente vier o FMI ou o tal fundo Europeu não esperem que ele venha dizer "eu estava enganado , afinal precisávamos mesmo e por eu ter esticado tanto a corda , culpado o próximo e obfuscado as contas públicas agora custa muito mais". Não , vai dizer que tentou tudo , que se sacrificou , mas a oposição forçou a situação.


Eu sou patriota e as questões da soberania são importantes para mim mas acho que era boa altura de fechar os ministérios da Economia , Finanças e mais uns quantos e deixar os Alemães ou os Suecos gerir as contas deste nosso pobre país , como os pais que tomam conta dos rendimentos e depois dão uma mesada aos filhos .

Ou então fechar mesmo tudo , a Bélgica está sem governo há quase um ano e no entanto as pessoas levantam-se de manhã e vão para o trabalho ou a escola , recebem e pagam contas , produzem , divertem-se , escrevem e lêm , os jornais são publicados, as ruas limpas , joga-se futebol , enfim , a vida continua , o que nos leva a pensar bem sobre a utilidade final de ter um "governo".

Os Portugueses de valor , honrados , competentes , inteligentes e dedicados , querem é distância da política nacional , precisamente por terem essas características. Ficamos por isso sem alternativas a essa casta de medíocres de todas as cores que manda nisto há tempo demais. A Assembleia da República é o espelho da Nação , e isto não tem remédio.

2 comentários:

Isa disse...

Eu venho cá porque gosto de te ler :P
Adorei o post. Bjos

Anónimo disse...

Eu venho por aqui e pertenço aos 10% (vela e navegações). Gosto no entanto das reflexões e gostava de acrescentar, que só tenho pena que o país não possa ser governado por uma empresa privada, fora das garras dos políticos.
Um abraço
João Guimarães Marques