25.4.11

Entretanto , em Deraa...

...as tropas do Presidente Assad , que há 11 anos herdou o poder absoluto do paizinho que lá esteve 30, entraram em força e disparam a matar contra a população , cujo crime é querer ser ouvida , ter voz no governo do país.

Nos comentários que leio aos artigos na imprensa um dos sectores é , como habitualmente , o dos críticos à hipocrisia ocidental. "Onde é que está a Nato agora ???" , clamam uns. "Pois , na Síria não há petróleo, por isso não vão lá" , dizem outros. De cada vez que se mete no Médio Oriente o Ocidente , ou o que podemos um tanto abrangentemente designar por Ocidente , está sempre sujeito a ser preso por ter cão e preso por não ter. Se não fazem nada perante as ditaduras assassinas são uns malvados que querem é o abastecimento de petróleo e outras cooperações asseguradas ( Bahrain , por exemplo) . Se há uma intervenção para correr com um ditador ou proteger civis destes massacres , são uns neocolonialistas que querem instalar um regime fantoche e apropriar-se dos recursos.

Era muito interessante que os críticos mais acirrados destas intervenções , ou não intervenções , em vez de condenar ou aplaudir um caso pontual , dissessem quais são as regras gerais que defendem nestes casos. Há ou não direito de ingerência? Eu acho que há , mas infelizmente muita gente acha que depende , e isso abre a porta às confusões que se vêm e lêm.E mais importante do que isso , a milhares de mortes e destruição enquanto se discute como e quando e porque é que se deve ir lá ou não.

5 comentários:

António Matos disse...

Xor, não percebi a tua posição. E eu yambém não sei o que pensar disto tudo.

Para mim tem tudo a ver com petróleo e geo-estratégia, pouco ou nada com ideias de liberdade e direitos humanos. Só que nem percebo bem o que se anda a passar.

O Kadafi era super amigo do Berluscoli, do Aznar, do Sócrates...O Aznar ainda há uma semana veio dizer que o Kadafi é um amigo do ocidente e que esta intervenção é um erro. O kadafi, poucas semanas antes da intervenção até tinha vindo fazer um favor a Portugal comprando-nos divida...Pelos vistos até pagaram a campanha do Sarkozy...

Será que isto não é só uma questão dos franceses e ingleses quererem meter o dedo no petróleo de uma das maiores reservas mundiais?

António Matos disse...

Por outro lado, o que se passa na Libia e Siria é o mesmo que no Bahrain, e realmente os comentários que se fazem são diferentes.

A Arábia Saudita também é um país com dono, um dono familiar, que mantém o regime de férrea ditadura de Estado militar, e além disso é o Estado religioso mais fanático do médio oriente (e do mundo). Aí não se fala de direitos humanos e liberdade...

Por outro lado, o Irão, que tem censura sim senhor, mas é dos regimes mais democráticos e com uma religiosidade menos fanática de todo o médio oriente...

No Iraque havia uma ditadura laica, agora há um caos comtendencias ao fanatismo religioso e lutas secatrias...

E o Afeganistão continua a ser o maior produtor de opio-heroina do mundo...

Não estou a falar de bons e maus, de santinhos e libertadores, e vitimas...

Só estou a dizer que não vejo linha coerente nos discursos e intervenções.A não ser se raciocinar em termos de petróleo e geo-estrategia.

Rui Silva disse...

Tratamos o nosso quintal de uma forma mesquinha e cinica. Ou o interesse é devido ao petróleo ou diamantes ou posição estratégica ou então não há interesses e ai um ou mais cantos do planeta que devia de ser de todos podem ser esquecidos e abandonados como se as mortes , o abuso e a tragédia acontecessem muito longe. Claro tud isto misturado com religião e politica e ai temos a civilização, a raça humana no seu melhor.

J.Ventura disse...

Tó , a minha posição é esta:
-Sou a favor do direito de ingerência
- Este direito não traz nenhuma obrigação de ingerência
- As intervenções devem ter mandato legal internacional (ONU)
-Intervem-se onde se pode e não onde se quer
-Intervem-se para resolver ou minorar um problema e não para manter a coerência
-Como a maior parte das pessoas desprezo monarquias absolutas , teocracias e presidentes vitalícios mas o petróleo é o esteio da nossa sociedade e modo de vida pelo que para ter abastecimento estável faz-se o que for preciso
- Acredito quer a política , e por extensão a geo política é a arte do possível e pede realismo e pragmatismo.
-Claro que muitas vezes isto não é bonito nem edificante , temos múltiplos exemplos ,mas quem procura e se encanta com idealismo , consensos , harmonia e fraternidade devia procurar outro assunto que não a política... se não passa a vida frustrado e irritado com a Realidade.

O azar do Kadafi aqui foi que a Líbia , na altura em que ele resolveu começar a massacrar os próprios habitantes , reunia todas as condições para possibilitar uma intervenção. Claro que tudo muda , e as coisas complicam-se diariamente , mas o medo de consequências inesperadas não deve ser razão para não agir.
Ou se calhar devia ser , nunca tinha havido guerras se houvesse sempre uma ponderação profunda do que pode correr mal...

Para terminar , para o Rui , é muito verdade o que dizes , mas qual é o problema em Estados e indivíduos defenderem os seus interesses? Às vezes a palavra "interesses" é dita de modo a parecer um palavrão...

Abraços!

António Matos disse...

Pois 'e bro,

Isto s'o d'a para perceber em termos de jogos de poder, em termos de petroleo, geo estrat'egia, interesses como lhe chamas.

Mas quando a Nato, ou ate a ONU, ou os paises ingerentes falam, nunca 'e isso que dizem.