2.4.11

Os tempos vão ser propícios....


1 - O pior está para vir , como espero bem que por esta hora já todas as pessoas lúcidas e informadas compreendam. Em alturas de convulsão há sempre protestos. Os gregos ralham e manifestam-se há que tempos , mas não é por causa disso que a situação deles melhora. Os Ingleses que também estão a ser apertados , saíram à rua a semana passada mas obviamente sem efeito nenhum a não ser marcar presença e vincar o descontentamento.Por cá o PCP tem uns cartazes a apelar à indignação , mas como de costume a indignação é inconsequente. E é inconsequente tanto à esquerda como à direita como ao centro , no meu entender porque não há ninguém credível. Uma coisa é exigir , para usar uma frase gasta até à náusea , "uma nova política" , outra muito diferente é criar , apresentar , legitimizar e implementar uma. Em Inglês "policy" e "politics" são coisas diferentes que devem ser distintas , nós só temos uma palavra para os dois conceitos e assim se mistura tudo e se condicionam uma à outra , as políticas à Política.

Uma época de crise séria , com convulsões e conflitos sociais como a que se avizinha é altura propícia a grandes mudanças , para não dizer revoluções . Os partidos tradicionais já mostraram o que valem em quase 40 anos de Democracia , foi o que foi no tempo das vacas gordas , é o que é agora, não passam disto. Por haver muita política e poucas políticas os eleitores não confiam em ningúem , votam no que lhes parece o menos mau , ou por hábito . Ninguém em seu perfeito juízo pensa que o Governo que sair das próximas eleições vai resolver alguma questão de fundo ou reformar e dar rumo a Portugal. É como estamos.


2 - O exemplo do que se passou na Islândia é muitas vezes referido como saída para a crise , senão elegante pelo menos eficaz, mas os defensores do modelo Islandês esquecem-se de que o que funciona numa ilha de 300 000 pessoas não se pode decalcar num país de 10 milhões , e que as características da dívida islandesa são muito distintas da nossa: a Islândia rebentou porque os seus bancos entraram numa espiral de loucura em investimentos mirabolantes no estrangeiro. Portugal está para rebentar porque a nossa economia não tem dimensão nem dinamismo para pagar o nosso nível de vida dos últimos anos. Para os Islandeses foi questão de correr com os políticos que tinham e mandar os credores às malvas. Mesmo que nós fizéssemos isso , como advogam alguns , continuávamos a precisar de crédito externo , que logicamente deixávamos de ter. E depois mesmo os novos políticos impolutos e brilhantes que íamos encontrar e eleger ficavam sem soluções , porque sem dinheiro não há palhaço, já dizia o outro.


3-Sendo assim, não nos livramos do FMI ou do Fundo Europeu mas podemos não dar a crise por totalmente perdida e aproveitar para fazer uma revolução política. Uma espécie. Perguntem a qualquer Português se gostava de mudar o sistema político e os políticos e aposto que a resposta é um rotundo SIM . A a ideia e o processo para trazer então uma mudança real é um referendo nacional com uma pergunta : Sim ou não ao regresso da Monarquia Constitucional .


Sempre achei ( e uma vista de olhos pela Europa confirma isto sem sombra de dúvidas) que o melhor sistema político é a Monarquia Constitucional. Nunca me empenhei nem militei na causa simplesmente porque achava que não valia a pena , a República lá ia andando , as instituições funcionavam melhor ou pior , e a despesa e agitação de uma mudança de regime não compensavam. Mudei de ideias . Quando a Assembleia da República é um coio de incompetentes incultos e interesseiros que conduz a Nação à ruína , ou acaba a Assembleia ou acaba a República , porque assim não se pode continuar.

Como não quero que acabe a Assembleia porque quero que possamos continuar a eleger representantes , quero que caia a República .

Quero uma Constituição nova , quero círculos uninominais em que os deputados respondam directamente a quem os elegeu , quero a possibilidade de eleger deputados independentes , quero metade dos deputados mas a ganhar o dobro , quero uma lei de incompatibilidades draconiana e aplicada ao milímetro , quero a possibilidade dos cidadãos seguirem cada cêntimo de despesa pública e quero um Chefe de Estado que não dependa de interesses nem de donativos nem de partidos nem de intrigas nem de demagogias para ser Chefe de Estado.


Com isto logo aparecia gente de valor para governar Portugal. Um homem pode sonhar.

4 comentários:

António Matos disse...

Xor,

Isto da monarquia constitucional é...pode ser estéticamente agradável para alguém. Mas resolver problemas não resolve nenhum.

Tanto que os mercados especuladores andam atrás de Portugal apenas porque querem chegar a peixes mais gordos, querem a Espanha, uma monarquia constitucional, que está pouco melhor que nós.

A Alemanha, a França, os Eua, a China, o Brasil não são monarquias constitucionais e são quem está aí, cada vez mais, a dar as cartas.

De qualquer forma, a assembleia e o Governo, que são quem manda, seria a mesma coisa...

Não percebo o que mudar o Cavaco pelo Duque de Bragança, tendo este ainda menos poderes (mas eventualmente mais gastos), poderia resolver coisa alguma.

J.Ventura disse...

Tó , falei claramente do que queria da Assembleia e o Governo , que não seriam a mesma coisa , como tu dizes.
Pelo menos concordas comigo que há que mudar alguma coisa,e que eu saiba esta é a única maneira concreta que tens de legalmente mudar o Regime, porque é disso que se trata. Não vês ningúem a dizer que trocar o Cavaco pelo Duarte e pronto, é a solução ou resolve alguma coisa . Com isto tinha que vir uma Revisão constitucional valente e é aí que podem vir reformas importantes para a Democracia , como as que eu defendi.
E quanto ao argumento de que o chefe de de estado não resolve problemas , olha , se tens razão levamo-lo até ao fim , e abolimos mas é o Presidente da República , já que não está lá a fazer nada.
E quanto aos países que estão a dar cartas não serem Monarquias , quando se fala de Nações fala-se por séculos , e para mim é muito mais importante quem eu admiro e vejo como exemplo do que quem está a dar cartas...

Há que discutir estas coisas porque muitas vezes quando se fala de Monarquia pensa-se é no cerimonial e nas capas das revistas o que é um erro infantil.

Rui Silva disse...

Eu, na busca por uma alternativa já tinha pensado nisso, mas depois pensei melhor e o ideal éra uma ditadura. Alguem que assumisse aos ombros a reconstrução do pais e que afinal não quizesse nada para ele (isto faz-me lembrar alguem). Alguem que metesse na linha os nichos comunistas na CP na Refer e na Carris e que cegamente faz a vida de milhares de trabalhadores num inferno. Alguem que castigasse os "chicos espertos" que enganam a segurança social(desisti de contactar os seviços de emprego do
S.C. sem a presença de um tecnico
da instituição). Alguem que fizesse com que empregar uma pessoa não significa casar com ela e sem direito a divorcio. Alguem que fizesse com que os Portugueses sejam tão bons a trabalhar em Portugal como o são lá fora, alguem que fizesse com que alguns patrões dexassem de ser uns filhos da puta assim como castigar severamente os chulos do sistema....Há mais, mas é melhor ficar por aqui.

Isa disse...

Muito bom!