19.6.11

Bailarico

Ontem saí à noite pela primeira vez em quase dois meses , havia bailarico. Não fui propriamente para dançar, foi mais para encontrar e ser encontrado, para me distrair um bocado e para cultivar as minhas amizades, porque passo muito tempo com os Franceses e os Belgas e tal, que nunca vêm a estas festas. Encontrei o mestre J, que me chumbou o aro da porta e há-de ir lá fazer-me mais uns trabalhos este mês; encontrei o J da C, que eu não reconheci logo mas que se lembrava bem de mim há 6 anos, vai-me emprestar uma betoneira a gasóleo, equipamento crucial nesta altura. Encontrei ainda outro J, deste eu lembrava-me bem e ele de mim. É outra personagem, um modelo de ilhéu meio pescador meio agricultor, tem uma lanchazinha, o sonho dele é ir à Horta e queria, sendo eu navegador, que eu fosse com ele, sozinho não se abalança. Estava com uma que até cambaleava, levei que tempos só para deixar de me tratar por senhor , mas está combinado, acho eu, vamos os dois ao Faial, em Julho ou Agosto, escolhendo uma aberta de tempo. Encontrei o meu vizinho das terras , que como 90% das pessoas não percebe muito bem o que é que eu ando aqui a fazer nem acredita que eu fique no Inverno , opinião provavelmente partilhada pelo Presidente da Junta, que estava com ele e a quem fui cumprimentar.
O musicól foi um espectáculo com um organista local , já vão aparecendo imigrantes que vêm para as férias e mais uns turistas. O navio na Quinta-feira descarregou 12 carros iguais e novinhos aí para a frota de aluguer e ontem aportou uma escuna Dinamarquesa com uma boa dúzia de jovens marinheiros e passageiros que ao fim da noite conseguiram encontrar o baile e trazer uma cor diferente à coisa.
Voltei para casa já esquinado, passava bem da meia-noite (!) , e esta manhã encontrei a égua toda embrulhada outra vez e uma das cabras está doente , não come e tem uma pata inchada , calha bem que amanhã tenho que ir aos Serviços Agrícolas por causa de umas análises ao solo e aproveito e falo com o veterinário .
E felizmente chove esta manhã, não tenho que alombar com a água para regar a minha plantação de café . Podem ser só 20 pés , mas tecnicamente é uma plantação. Tenho uma plantação de café numa ilha. Gosto de dizer isto.

5 comentários:

joao-carioca disse...

Com poucos intervalos para descanço, já percebi que o Jorge trocou uma vida dura na água por outra dura em terra !
A vantagem desta, é que vê a água de mais alto !
Um abraço

Isa disse...

Adorei saber dos pés de café.
Bjo

Anónimo disse...

Olá.
Estava a procurar por café nos Açores, e encontrei o seu blog, vi a sua ideia de importar mudas de café do brasil. O problema é que o café no Brasil já vem com pragas associadas do foro vegetal, até pelo que nêm devem deixá-lo entrar na Europa com espécies importadas vivas.
Se as plantas de café que têm aí na ilha não tem pragas associadas nem doenças, isso seria a opção mais sustentavel a prazo, visto que não vai gastar tempo nem produtos para as manter produtivas, mantém assim um factor de produção muito reduzido deixando espaço para a formação do preço capaz de alguma competição.
Convem tb saber se é da espécie arábica, é a mais viavel comercialmente.
Eu estou para ir buscar S.Jorge algumas plantas que têm em algumas fajãs, só que ainda não sei têm pragas associadas, se tiverem não o quero, e já agora gostaria de saber se o das flores têm.
Cumprimentos
MSilva

J.Ventura disse...

João , a vida é ocupada mas não é assim muito dura , até ver. Mas os animais são uma preocupação constante. E tenho é projectos um bocadinho grandes demais para uma pessoa só , espero bem não deixar nada pelo caminho ou mal feito...

O café do Brasil , cheguei a informar-me do transporte , era caríssimo mas podia compensar porque cada muda custa à volta de 30c de Real , mas não cheguei a confirmar os regulamentos para a importação das plantas vivas. Achave que plantas compradas em viveiros lá seriam limpas e saudáveis , mas não sei.
Estes 20 pés parecem-me saudáveis , têm algumas folhas queimadas mas disseram-me que foi por muita exposição ao vento , não tenho a certeza.Na fajã de onde vieram há mais uma dúzia ou mais de plantas já desenvolvidas e a frutificar , e espero ir lá buscar muitas sementes este inverno para continuar a criação. Olhando para as plantas grandes que lá estão em baixo é uma variedade saudável.
Logo ouve dizer , se tiverem pragas.Boa sorte com a plantação , cumprimentos.

Anónimo disse...

Olá.
Eu ainda não percebo muito das doenças vegetais mas do que li, a apetência a desenvolver essas doenças pode passar geneticamente pela semente, portanto as mudas de de semente de plantas de café já com várias gerações de plantio intensivo dependente de produtos quimicos, por muito limpa que seja, já está com a má genética, evoluiu de uma maneira diferente do que se pretende, isto é como os bovinos de raça, o ramo grande é muito melhor de carne como o waguy japones ou o angus, porque o meio os determinou assimm (não para alimentação mas para trabalho no campo).

Ora as plantas de café nas fajãs de são jorge foram introduzidas pelo que encontrei em artigos históricos no séc XV, e lá permaneceram, nunca conheceram outra vida, acho que ao fim desse tempo todo já estaram completamente adaptadas ao nosso clima e por isso produtivas e sem doenças que é o mais importante, o trigo que lá existe é a mesma coisa, e acho que é capaz de existir alguma cevada mas não está facil de encontrar.
Seria interessante conhecer a história desse café nas Flores
Cumprimentos
MSilva