Em Julho do ano passado escrevi aqui que os Estaleiros de Viana iam fechar em breve , apesar de não ser esse o discurso dos responsáveis. Além da degradação da situação da empresa e dos trabalhadores , nada aconteceu em 7 meses . Foi lá um ministro qualquer há uns meses fazer umas promessas vazias , estão a estudar o caso , como se ainda houvesse mais alguma coisa para estudar.
Só há duas encomendas e não há dinheiro para comprar o material para satisfazer essas encomendas , o que mostra bem o estado a que se chegou. Ouvi um representante da Comissão de Trabalhadores , que não sendo um sindicato tem um discurso mais realista e ponderado : querem que o Governo decida de uma vez por todas se há Estaleiros ou não , isto assim é que não serve ninguém...excepto os gestores estatais , um dos quais diz que o estaleiro precisa de 57 milhões de euros já para continuar a funcionar. Atenção , não é dinheiro para viabilizar a empresa ( que já toda a gente percebeu há anos que é inviável) , não é dinheiro para pôr a empresa a dar lucro ( afinal, é uma empresa pública e essas considerações são menores) , são 57 milhões de euros para que aquilo continue a existir , para que os 700 trabalhadores mantenham um posto de trabalho mesmo que ( contra a sua vontade) não tenham trabalho para fazer.
Toda a gente de boa fé e responsabilidade neste processo já devia não só ter sugerido , estudado e preparado como exigido a liquidação da empresa . Se admitirmos que os 700 trabalhadores estão todos lá há 30 anos e ganham todos 1500 euros , indemnizá-los a todos custa 31 milhões e meio . Ou seja , sobravam desses 57 milhões 25.5 para , por exemplo , comprar uns bmw's novos e aumentar os ordenados dos gestores públicos em reconhecimento do bom trabalho feito em Viana , e vender as instalações e activos para pagar o que se pudesse aos credores , como numa falência normal. Problema resolvido. De modo caro , mas resolvido , ao passo que se decidirem mandar para lá essa verba para a continuidade da empresa daqui a 6 meses faltam outra vez dezenas de milhões , e assim ad infinitum . Este medo patológico de declarar empresas falhadas , falidas , acabadas , irrecuperáveis , é muito mau , especialmente quando as empresas são do Estado , logo , os prejuízos são do contribuinte.Há casos especiais , como a CP , uma história de terror em forma de empresa que ninguém no seu perfeito juízo quer comprar e que não se pode fechar porque os comboios fazem falta.
O que se passou na vergonha do BPN foi semelhante : tinha saído muito , muito mais barato o Estado simplesmente ter fechado aquele coio de vigarice , passado um cheque a todos os clientes no valor dos seus depósitos e deixado o Ministério Público investigar os indícios criminais , mas não , tiveram que "agir rapidamente e decididamente para garantir...." o resultado que está à vista.
Vejo todas estas coisas mas ainda entro em discussões com pessoas que me querem convencer de que o Estado deve ter uma participação mais activa na Economia.
Só há duas encomendas e não há dinheiro para comprar o material para satisfazer essas encomendas , o que mostra bem o estado a que se chegou. Ouvi um representante da Comissão de Trabalhadores , que não sendo um sindicato tem um discurso mais realista e ponderado : querem que o Governo decida de uma vez por todas se há Estaleiros ou não , isto assim é que não serve ninguém...excepto os gestores estatais , um dos quais diz que o estaleiro precisa de 57 milhões de euros já para continuar a funcionar. Atenção , não é dinheiro para viabilizar a empresa ( que já toda a gente percebeu há anos que é inviável) , não é dinheiro para pôr a empresa a dar lucro ( afinal, é uma empresa pública e essas considerações são menores) , são 57 milhões de euros para que aquilo continue a existir , para que os 700 trabalhadores mantenham um posto de trabalho mesmo que ( contra a sua vontade) não tenham trabalho para fazer.
Toda a gente de boa fé e responsabilidade neste processo já devia não só ter sugerido , estudado e preparado como exigido a liquidação da empresa . Se admitirmos que os 700 trabalhadores estão todos lá há 30 anos e ganham todos 1500 euros , indemnizá-los a todos custa 31 milhões e meio . Ou seja , sobravam desses 57 milhões 25.5 para , por exemplo , comprar uns bmw's novos e aumentar os ordenados dos gestores públicos em reconhecimento do bom trabalho feito em Viana , e vender as instalações e activos para pagar o que se pudesse aos credores , como numa falência normal. Problema resolvido. De modo caro , mas resolvido , ao passo que se decidirem mandar para lá essa verba para a continuidade da empresa daqui a 6 meses faltam outra vez dezenas de milhões , e assim ad infinitum . Este medo patológico de declarar empresas falhadas , falidas , acabadas , irrecuperáveis , é muito mau , especialmente quando as empresas são do Estado , logo , os prejuízos são do contribuinte.Há casos especiais , como a CP , uma história de terror em forma de empresa que ninguém no seu perfeito juízo quer comprar e que não se pode fechar porque os comboios fazem falta.
O que se passou na vergonha do BPN foi semelhante : tinha saído muito , muito mais barato o Estado simplesmente ter fechado aquele coio de vigarice , passado um cheque a todos os clientes no valor dos seus depósitos e deixado o Ministério Público investigar os indícios criminais , mas não , tiveram que "agir rapidamente e decididamente para garantir...." o resultado que está à vista.
Vejo todas estas coisas mas ainda entro em discussões com pessoas que me querem convencer de que o Estado deve ter uma participação mais activa na Economia.
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