28.3.12

Ideias e Debates

A primeira ideia é inspirada numa declaração genial do dr. Louçã que diz no I de hoje que as empresas que dão lucro devem ser proibidas de despedir trabalhadores durante a vigência do programa de ajuda externa. Pelo menos não diz "durante a vigência do Pacto de Agressão" , já não é mau , mas naturalmente que lucro é igual a injustiça e proibir está sempre na primeira linha das medidas.
Inspirado nisto o que eu sugiro é o seguinte desafio : crie-se um fundo de 300 000 € , saído dos programas de apoio à economia que aí vêm e dentro dos quais essa verba é uma bagatela e dêem-se 100 mil ao Bloco de Esquerda e outro tanto à CGTP e ao PCP , e com este capital cada uma destas instituições deve escolher os seus melhores , à condição de serem militantes há pelo menos 5 anos , e criar uma empresa , tal como eles acham que as empresas devem ser . Se todos eles , a avaliar pelas críticas e propostas constantes , sabem qual é a solução para ter empresas competitivas e eficientes , esta era a oportunidade de mostrar o que valem as suas prescrições em matéria de regulamentos , salários , contratos de trabalho e obrigações das empresas. É uma verba suficiente servia para provar , ou não , que eles sabem como gerir , criar emprego e crescimento económico como nos estão sempre a lembrar , e têm boas ideias e soluções válidas. Era um investimento óptimo para o país . Aliás , até acho que era boa ideia para um privado , fazer esse desafio e financiá-lo.
Quanto mais ouço propostas como esta de hoje do Bloco e as elocubrações do Camarada Arménio mais me lembro dos críticos literários que nunca conseguiriam escrever um livro , dos jornalistas desportivos que nunca deram um pontapé numa bola e coisas do género.

A segunda ideia é relativa a uma forma de debate , é muito mais realista e fácil de executar , aliás , vou pô-la em práctica já com dois queridos e velhos amigos que estão firmemente plantados no campo da Esquerda radical .



Não sei se vocês têm a sorte de poder ter debates civilizados com pessoas de ideologias opostas , se têm e não são políticos profissionais já devem ter sofrido por falta de argumentos concretos para depois os encontrarem já tarde e fora de contexto , ou reparado que nessas discussões muitas vezes falta um fio condutor. A minha ideia resume-se a uma troca de livros . Cada parte oferece, empresta ou recomenda à outra um livro de sua escolha e ambas se comprometem a lê-lo em tempo útil , a fazer uma recensão e depois a discuti-lo .
Isto pode não converter ninguém mas alarga as vistas , obriga a pensar sobre argumentos contrários e cria uma estrutura para um debate mesmo produtivo. E depois , quem é que pode recusar? "Não me interessam as fundamentações do teu ponto de vista?" .

2 comentários:

António Matos disse...

Sabes que sou pouco dado a esquerdas e direitas…mas embarco no debate de ideias e sugestões.

Sugestão: A Dívida dura, do Louçã. É interessante. Nem é nada mau nem alucinado, independentemente de se discordar com partes do conteúdo. Quando o economista fala mais alto que o politico até saem coisas interessantes e minimamente razoáveis.

Sobre as empresas e a esquerda, creio que o debate também não é por aí.

O PCP sempre teve empresas. Tinha por exemplo, seguradoras, onde os trabalhadores eram bem “puxadinhos”, sem greves, e onde administradores se regalavam com BM´s…como em todo lado. Também são conhecidos por administrar, e bem, património imobiliário. E mesmo nas Câmaras até têm bons exemplos. Como Almada, que praticamente não tem dividas (ao contrário de Gaia, Aveiro ou a Madeira, que conseguem pior que o Estado central). Conheço pessoalmente um empresário dos moldes, da MG, que resiste, e é do PCP…

As ideologias são clubite, a vida real é outra.

Jorge Ventura disse...

Vou ficar com a sugestão do "Dívida Dura" , mas para o ler tenho que dar um para a troca...

É claro que há indivíduos particulares , comunistas de convicção , que criaram e gerem empresas de sucesso,e é sabido que há autarquias comunistas que são exemplos. A minha ideia , admitidamente fraquinha e irrealista ,até se podia alargar aos outros partidos , escolhi esses porque são os que não param de martelar nos empresários e protestar contra as medidas que a maior parte deles reclama , ou não houvesse luta de classes.

E acho que há uma diferença notável entre empresas de serviços como as seguradoras ou imobiliárias e as empresas "produtoras" , e eram dessas que eu gostava de ver os políticos criar e gerir.