12.4.12

Electricidade II

Os últimos governos puseram , ou disseram que punham , bastante ênfase nas energias renováveis, com os resultados que pessoas como eu esperam quando os governos se dedicam a orientar e condicionar a produção e as escolhas dos cidadãos. Gostava de ver as contas do investimento estatal nas eólicas , feito com subsídios e vantagens fiscais que o comum dos mortais desconhece e se conhecesse talvez mudasse de idéias sobre a ameaça do CO2 , e gostava também de saber o que é que estamos a ganhar com isso , nós que não temos empresas de equipamentos energéticos. Eu quero tanto salvar o planeta como o próximo , mas não quero pagar 10 ou 20€ a mais por mês na factura da luz para uma eventual e quase inverificável quebra nas emissões de CO2 , por mais que estrebuchem os ambientalistas radicais , os mesmos que nos anos 90 nos diziam que o petróleo acabava ontem.
Acho fundamental saber a relação custo-benefício das coisas , mas se isso já é difícil na nossa vida quotidiana , quando se trata de governos e estados é virtualmente impossível , pelo menos de maneira acessível aos não especialistas como eu , que gostavam de ver um responsável do Ambiente vir dizer com clareza : entre 2000 e 2010 gastámos X milhões em apoio e incentivo às energias renováveis ; a qualidade do ar melhorou em Y% ; a quota de produção a partir de renováveis subiu Z% e o preço da electricidade ao consumidor passou de X para Y. Com essa informação toda a gente podia formar uma opinião sólida sobre o assunto , como não a temos isto é feito de palpites , politiquice , ideologia , expectativas e decisões individuais.
Li no outro dia no Expresso um artigo de dois professores catedráticos que pretendia explicar e desmistificar a co-geração , não percebi metade porque os especialistas tendem a escrever para os seus pares e partem do princípio que as pessoas não só partilham a sua linguagem como têm as mesmas bases sobre o assunto.

Fiz o meu orçamento para montar um sistema independente , solar e eólico , para a minha casa. Uma instalação fiável , completa e eficiente ficava-me em 2500€ , contas redondas , transportes incluídos. Por 300€ a EDA liga-me à rede e calculo que vou gastar cerca de 20€ por mês , ou seja , mesmo considerando que os preços vão subir e que posso querer mais electrodomésticos no futuro , levo uns 10 anos a pagar o investimento , para não falar da manutenção e dos problemas de desgaste do equipamento , que não dura 10 anos digam o que disserem os fabricantes. Como as empresas como a EDP recebem subsídios chorudos e opacos para gerar electricidade a partir de renováveis mas os particulares pagam tudo a preço de mercado , vou ter que usar o meu orçamento para a energia de maneira racional , já que não trabalho com o dinheiro dos outros e tenho problemas mais prementes que os níveis de CO2 e a poluição , especialmente vivendo onde vivo. Vou ter uma aproximação mista , ou seja , ligo-me à rede mas faço a instalação principal da casa para 12V à mesma , com uma bateria que é carregada a partir dos 220V da rede. Mantenho o meu objectivo de simplicidade mas consumo energia “normal”. Acredito que a tecnologia vá melhorar e descer de preço e talvez um dia tenha 2 ou 3 mil euros para comprar a eólica, os painéis solares ,os reguladores e as baterias mas entretanto assino contrato com a empresa da electricidade.

Com estes cálculos e orçamentos descobri que vou ter que pagar 2,5€ por mês para a "contribuição audio visual" , fiquei pasmado. Isto é a velha taxa da televisão , e a única maneira de fazerem as pessoas pagar pelos vistos foi juntá-la à conta da luz. Eu não só não tenho nem quero ter televisão como acho que o Estado não tem , em 2012 , justificação nenhuma para ser dono e gerente de um canal de televisão a não ser para continuar a forrar aquilo de incompetentes e amigos e poder fazer passar a mensagem.
Podem-me dizer que 30€ por ano é barato para assegurar os arquivos e tal , discordo. Não há nenhuma taxa directa para a manutenção da Torre do Tombo , que acho mil vezes mais importante que os arquivos da RTP . E claro que não sou só eu que vou ter que pagar sem ter televisão , são milhões de pessoas que gostam , vêm e precisam de TV , mas não a RTP. Podem-me dizer que ouço a rádio pública , por isso devo contribuir, mas ouço-a porque não apanho outra e podia escrever duas páginas com críticas ao que tenho gramado este ano. Aceito argumentos a favor de subsídios estatais à rádio e televisão , porque por exemplo acho que nenhuma rádio dedicada à música clássica é economicamente viável , e é provável que seja importante existir uma , agora obrigar todas as pessoas que consomem electricidade a financiar o canal do Estado parece-me um abuso. Outro abuso.

1 comentário:

Isa disse...

só nao percebo é com tanto investimento não usamos já energias renováveis. ambiente my ass... ;)