23.11.12

Israel

Depois de contar a história do Rabi e do bode perguntei-me  se “Rabi” podia ser substituído por “padre” ou “guru” ou se havia na parábola alguma coisa de especificamente judaico , não cheguei a conclusão nenhuma mas fiquei a pensar na “questão judaica” , numa altura em que há outra vez guerra aberta na Palestina. Nesta altura acho que os governantes de Israel já deviam ter decidido se querem ter vizinhos ou não e levar a decisão às suas consequências. O modo como eles agem agora ( ataque dos árabes , represália dos judeus , recuo dos judeus , novo ataque dos árabes) só assegura que isto não tem fim. Como os árabes ( e os persas que os apoiam) dizem que só param quando mandarem os judeus ao mar , não sei de que é que os judeus estão à espera para acabar com Gaza e a Cisjordânia de uma vez por todas numa espécie de guerra final , acabar com fatahs , hamas , hezbollahs e outros doentes medievais ou pelo menos correr com eles do território que para todos os efeitos prácticos é Israel. A contenção ( que apesar de tudo e dada a comparação de forças , é real) de Israel e a relutância em fazer guerra a sério , por mais fotos de criancinhas árabes estropiadas que nos metam pelos écrans adentro , prolonga a situação indefinidamente , o que sem dúvida serve a muita gente de um lado e de outro. Hamas & companhia fazem o que podem , uns rockets sobre civis , umas bombas suicidas , umas saraivadas de pedras , e por aí ficam porque não dá para mais. Por outro lado , Israel tem a capacidade para obliterar Gaza e a Cisjordânia de um dia para o outro , por isso é que eu me pergunto , se eles não aceitam a solução dos dois Estados porque é que não acabam de vez com as pretensões dos Palestinianos , acabando com a autonomia que ainda têm e deixando claras as fronteiras de um “grande Israel”? Deve ser porque se o fizessem perdiam o que lhes resta da simpatia e compreensão do Mundo , e sem essa pena e simpatia o Estado de Israel era capaz de tremer, porque parte do mecanismo de sobrevivência de Israel é a vitimização.

Sobre isto , repesco ao retardador uma notícia do Público ( sim , às vezes ainda se pode ler o Público) de dia 6 deste mês sobre o embaixador de Israel em Lisboa :
Com palavras duras, Gol lembrou terça-feira, na Fundação Gulbenkian, em Lisboa, que Portugal "foi o único país que colocou a sua bandeira a meia haste durante três dias", quando soube da morte de Adolf Hitler. "É uma nódoa que para nós, judeus, vai aparecer sempre associada a Portugal", exclamou.

O Embaixador Gol confunde um Governo do passado com um País mas eu não confundo Israel com o seu embaixador por isso chamo-lhe só idiota a ele e não idiotas aos israelitas em geral .
Faz-me espécie que os políticos de Israel no estrangeiro se apresentem sempre como representantes dos judeus , isto de ser um estado religioso não pode ser mau ( Irão) ou bom (Israel) consoante o ângulo , e não se pode ser um estado laico para umas coisas e religioso para outras.
Israel , ou a sua face mais visível , satura o Mundo com a vitimização e a constante “actualização” do Holocausto , que foi provavelmente o mais ponto mais baixo da História humana e que nunca deve ser esquecido mas ser o esteio da política externa de uma nação já leva a resultados mais estranhos , como ver um embaixador a recriminar o país em que está destacado com um facto de protocolo datado de há mais de meio século quando o mesmo país vivia sob uma ditadura. Um diplomata de carreira deve saber representar o seu país em qualquer outro e ser...diplomático . Se esta besta fosse embaixador na Alemanha provavelmente estava todos os dias a martirizar os Alemães por causa dos Nazis. Há muitos judeus que não distinguem “nazi” de “alemão” e pelos vistos este Ehud Gol é um deles , que acha e não tem vergonha de dizer que sempre que um judeu se lembre de Portugal vai dizer “ah , esse país que teve a bandeira a meia haste quando o Hitler morreu” , e isso é ridículo. Aposto que a maioria dos Portugueses em 1945 nem sequer sabia quem era o Hitler quanto mais querer respeitar a sua memória. Bastaram meia duzia de burocratas germanófilos para mandar pôr as bandeiras a meia haste , e esses pelos vistos lançaram uma nódoa eterna sobre Portugal aos olhos dos judeus.
Se quer ir cavar na História por razões para recriminar Portugal , moa-nos com a Inquisição e as dezenas de Judeus queimados nas praças , que pelo menos aí havia hostilidade geral e declarada da população e do Estado.

Por outro lado , não deixa de ser curioso que Portugal tenha sido o único país , que se saiba ( fizeram um levantamento?) a ter as bandeiras a meia haste três dias. Gostava de saber por quais outros estadistas teve Portugal a bandeira a meia haste e muito interessante deve ser também a opinião sobre isto de pessoas que sabem mesmo muito acerca do Salazar , do seu mundo e do seu tempo , como por exemplo Fernando Dacosta ou Adriano Moreira .
Eu acredito que o homem sabia das deportações dos Judeus mas não sabia dos campos de extermínio , como a maior parte do mundo até os Americanos terem libertado Buchenwald em Abril de 1945. Os Soviéticos tinham libertado Auschwitz 3 meses antes mas não havia muita comunicação entre Lisboa e Moscovo e tudo o que de lá viesse era descredibilizado . Tendo em conta que o primeiro contacto do Ocidente com a verdadeira extensão da barbárie nazi foi a 11 de Abril e o Hitler se suicidou dia 30 , acho muito provável que esses 20 dias não fossem suficientes para o Salazar saber e acreditar nos campos de extermínio , num mundo onde a informação viajava a um ritmo muitíssimo diferente do que hoje. Posso bem estar enganado mas é a minha tese sobre isto .


2 comentários:

Anónimo disse...

Alo.
Também li sobre esse embaixador e concordo que é uma personagem rídicula. Quanto à questão de Israel e da Palestina, penso que seja mais complexa e complicada do que acabar ou não acabar com a Faixa de Gaza e a Cisjordância. Primeiro porque isso envolveria de certeza o Irão. E tal não seria nada desejável para todos nós. Depois, porque sim, perderiam a simpatia. Algo que eu tenho em muito pouca quantidade.
E só para terminar, é lamentável que quem tenha sido muito responsável por este caso (a Grã-Bretanha), nada faça pelo caso.
Se para Israel é a terra prometida, para os palestinianos e árabes é uma promessa quebrada...

Abraço,
Gonçalo

António Matos disse...

jo, acho que é por ai mesmo...

so uma achega sobre os arabes e persas..arabes e um conceito complicado, porque seriam as pessoas da arabia ou as pessoas que falam arabe...mas isso nao conincide ocm a identificaçao geral que se faz enre arabe e muçulmano. ora, ha muçulmanos chineses, e arabes cristãos...

por ouro lado, os "arabes" nao sao apoiados pelos persas. o mundo muçulmano esta muito longe de ser uma unica comunidade unidad (umma). Os xiitas "persas" (genericamente irao, e partes do afeganistao, iraque, india, etc) nem sequer sao considerado smuçulmanos por grande parte dos sunitas. O dentro do ssunitas há sunitas e sunitas. Os sunitas da arabia saudita desprezam mais os xiitas iranianos que os judeus e americanos!

E o mais surreal é que os sunitas da arábia saudita são muito mais radicais, no sue islamismo, que o xiismo persa (que é o islamismo menos radical de todos).

o Egipto e Damasco ficam ali no meio, entre correntes, entre interesses e vizinhos...

enfim, isto é complicado.