18.12.12

Livros maus e livros bons

Nesta época vendem-se e oferecem-se muito mais livros do que no resto do ano , a proliferação de maus livros aumenta em proporção e isso , em tempos de crise económica , ainda mete mais dó.
Houve uma altura em que achava  que mais valia as pessoas lerem  livros "maus" do que não lerem  nada , mas agora já tenho as minhas dúvidas. Achava que pelo menos a literatura "light" ,  as biografias de jogadores de futebol com 23 anos e as filosofias e auto ajudas de vão de escada podiam , além de entreter , motivar as pessoas a subir de nível mas já não me parece . Pelo menos é bom para a indústria que produz isso , mas custa ver pessoas a pagar tanto por livros que valem tão pouco.Felizmente há alternativas.

Decorreu  uma Feira do Livro na biblioteca , fui lá ver e até havia dois livros , de história , que tinha comprado, mas custavam os dois mais de €20 . Já nem me lembro quais eram esses títulos que estive (pouco)  tentado a comprar , porque a vantagem de ir às compras numa feira do livro numa Bibiloteca é que se pode sempre sair com alguma coisa , e  trouxe dois :  "Generais Romanos" , que é do género que eu mais consumo e infelizmente não se cultiva muito em Portugal , e Fidel e Che , uma Amizade revolucionária , que ainda não acabei mas já recomendo .  Tenho 3 semanas para os entregar  , gostava de ficar com eles  mas já me dou por satisfeito por poder ir assim buscar livros à borla , e livros "bons"...  Mas não se podem oferecer. Voltando aos "livros maus"  quero deixar aqui um texto que aplaudo e subscrevo , de Nuno Resende no blog Centenário da República :

 O Reino da Fama Fácil:

"Praticamente todas a semanas sai um livro novo sobre intimidades, sinais de loucura ou extravagâncias dos Reis de Portugal. São tantos os títulos carregados de letras gordas, pontos de exclamação e bandas vermelhas a chamar a atenção do leitor para a polémica obra, que por vezes é impossível confundirmos as livrarias com uma uma papelaria onde entrámos para apreciar revistas cor-de-rosa ou jornais polémicos. Efectivamente toda esta literatura apresenta-se-nos como as notícias que vendem os ditos jornais e as citadas revistas. Aliás a maioria é produzida por jornalistas.


Efectivamente, se perdermos algum tempo a procurar informações sobre os autores nas badanas encontramos um universo de considerações absurdas que nos leva a pressentir o teor da matéria que vamos ler: a maioria provém da comunicação social light, uns associados ao Correio da Manhã, 24 Horas ou periódicos gratuitos, outros guionistas de séries sobre adolescentes problemáticos e outros, ainda, gestores de projectos que se assumem simples apreciadores das vidas régias - tão apreciadores que no meio da História apenas lhes interessa vasculhar no lixo. Também há médicos e advogados, coisa não rara na historiografia e nas genealogias, cuja posição social e profissional o parece habilitar para a redacção da História.
Não se excluem desta listas alguns licenciados e mestres em História, ou mesmo arqueologia, que compreenderam (e bem) que os árduos degraus da qualidade se podem contornar pela rampa do trabalho fácil, da polémica e da vulgaridade. É sabido que em caso de mediocridade intelectual ou académica, a solução é tirar a roupa, para assim vender atributos que eventualmente compensem a ausência de matéria cerebral. Poupando-nos à visão destas criaturas pseudo-literárias como vieram ao mundo, optam por despir os Reis e as Rainhas de Portugal, procurando assim rentabilizar assuntos que apenas dominam no mundo torpe em que foram criados.
É claro que a historiografia académica portuguesa ignora o fenómeno e finge recusa encarar o problema: estereótipos reproduzidos até à náusea, deturpação de acontecimentos e factos, vulgarização do trabalho de investigação. Embora um historiador devidamente formado numa universidade demore anos a produzir uma biografia régia, entre investigação em arquivo e redacção, como as da colecção Círculo de Leitores, um jornalista ou um auto-didacta demora apenas algumas semanas a coser meia dúzia de banalidades noutras edições não menos medíocres.
As editoras rejubilam com estas estórias de baixa qualidade. Os autores ganham fama e dinheiro e o público "cultiva-se" com a linguagem baixa e "simples", que não obriga a pensar.
Depois admiram-se da situação actual. Até compreenderem que só a ler jornais desportivos, "revistas Maria" e títulos fáceis não vamos a lado nenhum, dificilmente conseguiremos saír do estado estupidificante a que chegámos."

1 comentário:

Isa disse...

os sebos aqui são um paraíso. e a estante virtual tem quase tudo, nem preciso de sair de casa :) qq coisa, estamos ao dispor.
bjo