30.1.13

Governo Mínimo

Em Dezembro de 2011 tomou posse na Bélgica um novo governo depois de um período de 541 dias numa espécie de limbo em que não havia executivo . Quase dois anos , foi o tempo que demoraram os políticos belgas a entender-se para formar uma coligação minimamente estável. Quase dois anos sem governo , e no entanto a Bélgica não se desintegrou , não caiu no caos , não faliu . As pessoas continuaram a trabalhar e a receber pelo seu trabalho , a polícia policiava , o lixo era recolhido , as luzes estavam acesas , as estradas abertas e limpas , as crianças iam à escola , o comércio comerciava , as fábricas fabricavam , os tribunais julgavam , os atletas competiam , enfim ...a vida continuou. 
Referi-me a isso na altura mas dá-me a impressão que o facto ( fora da Bélgica) não foi muito comentado e analisado,  porque nos leva a pensar na utilidade final e na indispensabilidade de um Governo , coisa que nenhum político quer encorajar , obviamente. 
 Se calhar estas dezenas de ministérios , secretarias de estado e direcções gerais , estes batalhões de deputados , assessores , directores e ministros no fundo , bem no fundo , atrasam mais do que adiantam. Não estou naturalmente a defender a anarquia mas acho devíamos reflectir bem neste caso da Bélgica e na hipótese académica : “e se não houvesse Governo?” . Começo a pensar que a reforma verdadeiramente importante não seria tanto reduzir o Estado à sua expressão mínima mas sim reduzir o Governo à sua expressão mínima .

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