4.1.13

Nova Autoridade

O nosso governo , sempre  atento ao interesse nacional  , achou  que a vigilância do espaço aéreo português era insuficiente  e que as empresas portuguesas ligadas à aeronáutica precisavam de certificação . 
Não sabemos se se lembraram sozinhos , assim de repente ,  ou se foram impelidos a querer fazer alguma coisa por uma  série de acontecimentos nefastos no nosso espaço aéreo que nós desconhecemos , mas o princípio é  simples e  muito repetido : havendo um problema para resolver ou uma necessidade para colmatar , cria-se uma entidade governamental , seja qual for a natureza do problema ou da necessidade. Por isso podemos dar as boas vindas à Autoridade Aeronáutica de Defesa Nacional , nascidinha hoje na Assembleia da República , criada para ser "responsável pela vigilância do espaço aéreo nacional e pela certificação das empresas ligadas à manutenção de aeronaves estrangeiras". 

Pergunta uma pessoa  mais picuínhas que se aflige com detalhes  "mas então já vendemos a Força Aérea? Não se gastam já  milhões a dar máquinas e gasolina a essa rapaziada  para , precisamente , vigiar o nosso espaço aéreo?" Ah , não seja simplista , então e a articulação necessária entre os meios civis e os militares?Os pilotos e aviões são da  FAP mas esse pessoal militar precisa sempre de enquadramento, não se podem deixar assim os militares a controlar coisas do domínio civil , está a perceber ?  E depois há a questão da certificação...
 "Está bem , mas então o que é que faz o Instituto Nacional da Aviação Civil?. E não há mais quem certifique indústrias sem ser o Estado?"
 Coisas diferentes , sem dúvida , e  o  secretário de Estado da Defesa, Paulo Braga Lino, garantiu que "não vai haver qualquer confusão" entre a AADN e o Instituto Nacional de Aviação CIvil (INAC), que é a autoridade aeronáutica portuguesa".
Não se deixe distrair pelo facto de o patrocinador desta belíssima ideia se referir na mesma frase  ao INAC como a autoridade aeronáutica portuguesa  e à novel Autoridade Aeronáutica de Defesa Nacional , que vai  ser por conseguinte a outra autoridade aeronáutica nacional . O nosso espaço aéreo e os seus problemas são tão complexos que isto só com uma autoridade nunca mais lá ia . 

Dizer que é  preciso um novo organismo para a vigilância do espaço aéreo nacional é ridículo e um  bocadinho ofensivo para a Força Aérea . Se a  falta de vigilância fosse um problema real e premente simplesmente davam mais meios e tarefas à Força Aérea , é para isso que ela existe. Ou não?
E é  preciso  uma nova autoridade para fazer "a certificação das empresas ligadas à manutenção de aeronaves estrangeiras"? Não seria mais lógico , simples , barato e eficiente dar essa competência ao INAC? Ou o INAC também não ia estar à altura da tarefa? É precisa outra camada de autoridade.

Espero que a novo organismo  venha por fim ao caos ,  já estamos fartos desta rebaldaria e dos constantes ataques e violações do nosso espaço aéreo  . E que a poderosa indústria nacional das reparações e manutenção de aviões  possa finalmente  alcançar a certificação pela qual anseia há tantos anos e não consegue de outra maneira.Aguardo ansiosamente a próxima contribuição da Secretaria de Estado da Defesa para a recuperação do país  , talvez a Autoridade Naval de Defesa Nacional.

1 comentário:

António Matos disse...

Isto é tipico e ridiculo! Harrre