29.1.13

Os reformadores

O PSD e o CDS diziam que vinham , além de moralizar e pôr ordem nas contas públicas ,  reformar o Estado. Quanto à moralização , direi  apenas "Relvas"e "BPN".
Quanto à ordem nas contas públicas , parece-me   ilusório porque para mim "ordem nas contas públicas" significaria  que o Estado deixava de ter despesas como reformas duplas e ultra antecipadas para políticos , renovações automáticas de frotas automóveis , bania e ilegalizava despesas discricionárias , acabavam coisas como o Estado pagar indemnizações como os 12000€ que tivemos que pagar para compensar um professor saneado  por gozar com o Sócrates , e um longo etc. Nada disto está em vias de acabar.
Pôr ordem nas contas públicas não era só trabalhar para as despesas se aproximarem das receitas , era acabar com a rebaldaria que dá a cada funcionário público eleito ou não eleito um cartão de crédito assim que chega aos escalões mais altos e se torna "decisor" . 

Por exemplo esta criaturinha que é agora a segunda figura do Estado e celebrou com esta pose de estadista a sua eleição ( de recurso , lembremo-nos , porque houve um momento de lucidez que permitiu mandar o Fernando Nobre para onde pertence) , pelas listas destes "reformadores" , não achou que podia reformar um bocadinho e dar o exemplo no seu sector , a Assembleia da República da qual é Presidente. Podia por exemplo dizer que nestes tempos de austeridade não se justifica que os deputados bebam  vodkas polacos a 2 euros no bar da assembleia nem tenham  refeições  a 4€. Já não digo que tivesse vergonha de receber uma reforma dourada aos 47 anos , porque sei que vergonha é coisa que não assiste aos políticos , mas podia fazer um gesto , caramba! Dizer : os deputados ganham o suficiente para pagar as suas refeições , cafés e  bebidas ao preço que pagam o resto dos cidadãos. Não era essa poupança que ia salvar as contas públicas , mas sempre passava um sinalinho  às pessoas em vez de aumentar a raiva geral. Moralizar um bocadinho de nada a Assembleia daqueles que estão sempre a falar em moralizar a vida pública. 
Dado que não há hipótese nenhuma de moralização grande nem pequena na  Assembleia , também  não  haverá no resto da vida pública , e a ordem que o  governo quer pôr  nas pontas públicas parece ser uma ordem contabilística e financeira , que não é mau mas não chega .Restava-nos a esperança na reforma do Estado , se formos optimistas ao ponto de acreditar que é reformável. Reformar este Estado criado à medida de um Portugal idealizado , este Estado injusto e insustentável, como está todos os dias a ser demonstrado .

Uma senhora que na minha opinião foi a derradeira oportunidade que tivemos de nos endireitar e reformar sem termos que falir primeiro , e que naturalmente foi aviltada , insultada e descartada como uma cassandra , uma ditadora em potência e uma catastrofista  rezingona que nunca levaria o PSD a uma vitória eleitoral ,  Manuela Ferreira Leite , conta neste blog esta história exemplar para quem quer perceber Portugal e as razões da nossa desgraça:

"O Conselho das Finanças Públicas criado em 2011 foi a última batalha que travei, sem sucesso, como Deputada na Assembleia da República. Discordei da necessidade de um órgão que tem como missão avaliar a política orçamental. Sempre entendi que essa avaliação ou era técnica ou política. 
No primeiro caso, não faltam entidades que cumprem esse objectivo por serem fontes ou terem acesso às estatísticas relevantes. É o caso do INE, do Ministério das Finanças ou do Banco de Portugal. 
No caso de a avaliação ser política, esta pertence à Assembleia da República, em que para apoio técnico aos Deputados existe uma entidade - a UTAO - composta por técnicos independentes. 
Por isso, nunca percebi em que conceito, estratégia ou motivação se inseria este novo órgão que surgia como uma duplicação de outros.
No mínimo, desvia recursos que poderiam reforçar os meios das entidades já existentes, se o problema era melhorar a sua capacidade ou eficiência.
Agora, numa entrevista dada pela Presidente deste Conselho confirma-se o que se perspectivava.
Criado em 2011, o exercício de funções ocorreu a partir de Fevereiro de 2012 e ficámos a saber que 2013 ainda é um ano de transição. 
Entretanto, houve que tratar das instalações, da informática e actualmente está em curso o processo de recrutamento do pessoal. 
Como sempre pareceu óbvio, esclarece-se que não vão fazer previsões próprias para a evolução da economia porque essas continuarão a ser feitas pelo Ministério das Finanças. 
E assim se criou mais um órgão, com um orçamento que ronda os 5 milhões de euros (entre 2012 e 2013) e que, quando emitir opiniões, tem tanta eficácia quanto um artigo de opinião publicado gratuitamente num jornal credível. 
No contexto da anunciada Reforma do Estado é um bom exemplo!"
 
 Imaginemos o que se poderia fazer com cinco milhões de euros se não estivessem a ponto de ser torrados num organismo perfeitamente inútil. Lembremo-nos também do que disse certa vez Manuela Ferreira Leite e que lhe valeu opróbrio generalizado  , algo como "resolvia-se muita coisa se se suspendesse a democracia por seis meses". Quanto mais os políticos e partidos promovem e toleram ofensas como este "conselho das finanças públicas" mais pessoas vão começando a acreditar que esta "democracia" é uma valente merda que só espolia  quem trabalha para  sustentar os mesmos "conselheiros"  de sempre , e começam a ansiar por "alguém que ponha ordem nisto". Depois queixem-se.

3 comentários:

António Matos disse...

A MFL lembra-me o António Costa. Tem andado por aí um texto dele, que terá sido dito num canal de Tv, onde ele diz coisas "brilhantes"...sobre os políticos e a politica! São um monte de contradições a começar pelo facto de ele , ao dizer aquilo, até parece que não esteve lá metido em vários casos de ministério, e o saldo é...nulo!

Esta fulana é outra que tal. Já nem vou falar daquela campanha contra o Sócrates, que foi, no mínimo ridícula ( e aí até era bem preciso alguém forte, para uma boa oposição). Digo antes, como ministra (educação e finanças). O que fez como ministra da educação? NULO. O que fez como ministra das finanças? Bem, além de ter posto dinheiro do Estado e das reformas, no casino mundial, e ter perdido muito dinheiro, foi quem deu ás autarquias e Regiões ( e ao próprio Estado central) a Lei das finanças que permitiu a desorçamentação de despesas através de EP, PPP, Associações, Fundações e Institutos variados. Também nem sequer disse nada quando nacionalizaram o BPN, e com certeza ela sabia bem o que ali se passava, pois grande parte dos seus compinchas estavam lá metidos, e ela tinha ligações ao sector bancário. Enfim... Mais uma "virgem" que não tem nada a ver com isto...

O pior de tudo, é que a MFL, como até o AC, são mais competentes e realizadores (e , até, "sérios") que os eleitores portugueses.

A crise é de todos. TODOS. Inclusive de mim e ti jó. E não há por aí salvadores, ou inocentes.

Rui Silva disse...

Lembro-me bem dessa afirmação dos 6 meses sem democracia e acho que estáva enganada porque 6 meses não dariam para nada. A democracia ou "esta" democracia é muito boa para quem está no poleiro e em sectores previligiados. Vamos perguntar ao Mexia se gosta da democracia! ou aos Soares . Tente-se mudar alguma coisa no sentido da contenção e redimensionamento de recursos e ninguem estará de acordo, ninguem mesmo aceitará de animo leve que garantias e beneces retrocedam. Nunca mais me vou esquecer o que um amigo que trabalha na central de compras do estado me contou (sem dizer nomes com muita pena minha) de um certo padre que ligou para ele a exigir um automovel, depois de ele analizar o pedido respondeu que o seu cargo não permitia a entraga de um carro a resposta dele foi seca e irritada......passa-me ao teu chefe!

Jorge Ventura disse...

Que não há salvadores é certo, e que nos livremos de quem se chegue à frente a dizer que vem salvar isto , agora há uns mais inocentes que outros... não são certamente inocentes o António Costa ou a Manuela Ferreira Leite mas já me custará mais a discernir a minha e a tua culpa na crise ...