5.2.13

O meu cão

Fui ontem confrontado com outro fracasso pessoal , o meu cão ia sendo atropelado porque em quase dois anos não fui capaz de o educar a ponto de vir sempre que eu o chamo.
 Tinha ido carregar uma grande prancha de plátano que me ofereceram para fazer a mesa da minha casa , tive que o deixar sair da parte de trás do carro onde ele costuma andar , foi dar a sua volta, vejo-o ir direito à estrada para ir ter com um cachorro numa casa do outro lado e ouço o barulho de uma moto a aproximar-se a grande velocidade. Chamei-o , ele ignorou-me e continuou pela estrada e por fracções de segundo vi a minha vida negra , já via não só o meu cão atropelado como o motociclista a voar e estoirar-se contra uma parede. O cão parou , o motociclista viu e desviou-se , o sangue voltou-me devagar à cabeça mas fiquei a tremer. 
 O meu cão não se tornou no que eu imaginava quando o fui buscar com um mês . Sei perfeitamente o que é que correu mal e os erros que cometi na educação dele , não é que esteja “perdido” mas é como tentar ensinar maneiras a um adolescente. É possível mas devia ter sido feito na infância . As razões para isso , primeiro o facto de eu não ter feitio disciplinador e ter deixado o meu cão ser um mimalhão que até dorme na minha cama , coisa que nenhum dono de cão “sério” autoriza. Agora é tarde porque o cão nunca mais percebe se eu ao fim deste tempo todo o impedir de dormir na cama .
 Não tenho bem a certeza se ele chegou a perceber que eu sou o Alfa da vida dele ou se acha que eu sou só o amigo . Depois não tive a disciplina para o levar nas necessárias  sessões de treino quase diárias , passavam-se dias e dias em que não íamos a lado nenhum fazer exercícios porque estava a chover ou simplesmente porque não me apetecia . Ia sempre correr , mas só correr , actividade que nenhum cão precisa de aprender nem treinar. Quando o fui buscar pequenino estava desavindo  com um amigo que tenho que sabe tudo o que há a saber sobre cães ,  meti na cabeça que o treinava sozinho , e foi esse o meu azar , e o do cão . Comprei dois livrecos sobre o assunto e pensei que mesmo sem nunca ter tido um cão mesmo meu nem pensado muito sobre o tema ia conseguir educar e treinar o Rofe sem ajuda , mais uma vez este traço que às vezes me desespera , tenho excesso de confiança e depois corre-me mal. Não tenho nenhum medo que ele ataque alguém , é um pachola , só tenho medo que ele abale como ontem e seja atropelado, porque isto é uma aldeia mas ainda assim de vez em quando passam carros. 
Claro que ainda não desisti de o ensinar bem , mas o excesso de confiança também se transforma facilmente em derrotismo e tenho pena porque acho que o Rofe já não vai ser como eu sonhava , eu não pedia muito     ( as minhas ambições hoje em dia são muito modestas ) , não queria um cão de concursos nem de circo , queria um cão que andasse ao meu lado sem trela e que viesse sempre que eu o chamo . 
Espero que este susto me motive a esforçar-me mais pelo meu cão , que me dá tudo e só me pede comida e pelo segundo ano me ajudou a passar  um Inverno mau e duro que felizmente está a chegar ao fim .

2 comentários:

Keytas disse...

Tens de pedir ao Cesar, o Encantador de cães que vá aos Açores. ehehehehe
Entretanto vê se o apanhas na Sic Mulher.
Abraço

Jorge Ventura disse...

Eh pá esse gajo é impressionante , não tenho televisão mas já me mandaram um dos livros dele e estou a ver se arranjo maneira de arranjar os programas para ver no computador.
Mas o meu cão não é assim problemático , nem nada que se pareça , eu é que tenho que trabalhar mais se o quero bem ensinado.
Abraço!