9.6.13

A outra vida

Da ilha a Fort Lauderdale vão 5 aviões e mais ou menos 24 horas de viagem e a sempre agradável noite no aeroporto de Boston , não quis ariscar e comprar o bilhete só com duas horas entre aterrar e embarcar , porque além da possibilidade de atrasos e perdas de bagagem há sempre a história da imigração , que normalmente é rápida mas também pode levar horas , se aparece alguma bandeirinha lá no sistema deles. Já passei muitas horas em aeroportos americanos , especialmente o de Miami , para confiar que está tudo conforme e não vai haver questões. Por isso comprei o outro bilhete para as 5 da manhã , e chegámos às 7 da noite anterior. Ir ficar a um hotel custava sempre pelo menos $100, eu sou muito forreta e não me incomoda assim muito passar uma noite num aeroporto .

O primeiro sinal de que em Fort Lauderdale nada mudou em dois anos e meio é que o F. , que tinha ficado de me ir buscar ao aeroporto , me mandou uma mensagem a perguntar se era quarta feira , e que não podia vir. Fomos de taxi para a marina onde está o barco e confirmei logo a apreensão que senti quando no dia anterior vi no facebook uma foto do barco a entrar lá. Ninguém vai para essa marina /estaleiro se não for para trabalhos grandes, e estando à espera de encontrar o barco numa marina pronto para em três dias equipar e fazer a devida preparação para partir numa viagem longa , encontro o barco varado no estaleiro e com uma lista de trabalhos de uma página inteira. Entre variadissimas outras coisas , a instalação de um novo gerador que nem sequer ainda tinha chegado , e uma limpeza , tratamento e pintura completa do casco. Felizmente conheço toda a gente que está a trabalhar lá , o que pelo menos me dá a garantia de que estamos nas melhores mãos  e que não me tentam enganar. Ajuda muito o facto de os clientes terem bolsos fundos e desapertados , e além disso o patrão tem mais de 40 anos de experiência de barcos e assim não tem o nível ridículo de expectativas que geralmente têm os novos proprietários e que geram sempre muitas frustrações .

 O plano então é lançar o barco a agua na terça para zarpar possivelmente na quinta , e a viagem será dividida em dois , desta vez faz-se só até ao Panamá , via Bahamas , Jamaica e San Andrés , uma ilhota colombiana , e depois volto lá em Novembro para passar para o Pacífico , rumar às Galápagos e de lá então para o Peru. Este dividir da viagem em duas convém-me bastante , vamos lá a ver se este plano actual vai muito longe . Veio um marinheiro peruano que vai ser o capitão quando o barco estiver no Peru , já aconteceu nas duas vezes anteriores em que lá fui. A diferença é que os outros sabiam pouco ou nada , este já sabe bastante e é inteligente , atento e metódico , tem a motivação enorme de estar a trabalhar no que vai ser a posição permanente dele , estou bem servido de imediato. Anteontem fomos às compras e foram quase cinco mil dólares , nada do que foi comprado era essencial , tudo era necessário. Ainda tenho mais outro tanto em peças sobressalentes para ir comprar  , vai um stock daqui porque lá há pouco ou nada e esse pouco é caríssimo. 
 
Afinal vamos ser a linda conta de 10 a bordo , se de costume já não tenho grande margem para erro, desta vez ainda é mais reduzida , fazer com que esta viagem aconteça sem percalços de maior e com os proprietários satisfeitos não vai ser nada simples.

1 comentário:

Isa disse...

Boa viagem, JV, que corra tudo bem. Beijinhos