19.12.13

2 episódios

Antes de falar sobre a rota do Peru e o que aqui encontrei quero contar duas histórias que achei muitíssimo caricatas e que sem dúvida figuram no filme que eu vou fazendo . 
 A primeira passou-se na cidade do Panamá .No mesmo dia em que acabámos o trânsito do Canal os donos e convidados desembarcaram direitos ao hotel mas eu fiquei com os passaportes todos , tinha que ir tratar das formalidades e precisava deles. Combinámos à uma da tarde do dia seguinte no Marryot para lhos entregar . No dia seguinte depois de tratada da papelada , taxas , carimbos , cópias e o diabo a quatro lá me meti num taxi para o Marryot . O patrão e o amigo tinham ido ver cavalos e as senhoras tinham-se ido dedicar às compras no centro comercial ao lado do hotel. À uma menos cinco entrei no atrio , debaixo dos olhares desconfiados de porteiros , recepcionistas e outros hóspedes. Desconfiados porque nunca ninguém me há-de descrever como um gajo bem arranjado , é raro barbear-me , as minhas roupas não são lavadas com a regularidade que seria se calhar recomendável em sociedade moderna , nunca , mas nunca são passadas a ferro e a maior parte das vezes quando não são gastas e amarrotadas são couture chinoise . Não é propriamente uma opcção de estilo, é mais porque o dinheiro não chega para tudo e eu tenho as minhas prioridades. Não sou nem de perto nem de longe o hóspede tipo do Marryot mas entro lá como se fosse , pelo que as pessoas olharam , em particular dois homens de negócios americanos . Perguntei pela sra. Tal, ligaram para o quarto , não estava , sentei-me à espera debaixo do olhar vigilante do segurança. Minutos depois da uma entram as quatro senhoras , arranjadíssimas , carregadas de sacos de compras , cumprimentam-me com beijinhos e muitos sorrisos , eu tiro do bolso dos calções um ziploc com seis passaportes , entrego-lhos e despeço-me , vemo-nos em Lima! A expressão no rosto dos americanos e do segurança só por si valeu-me o dia , não faço ideia do que terão pensado aquelas pessoas perante uma cena tão insólita. 

 O segundo episódio foi em La Libertad , no supermercado. Tínhamos já o carrinho cheio , passei por uma das estantes com revistas ao pé da caixa e peguei numa. É uma espécie de hábito antes de partir em viagem , quando faço as compras , comprar uma “revista para homens” quando há . Faz bem à moral , distrai e dá outro assunto de conversa e pomos o poster das páginas centrais nalguma parte  do barco para alegrar o ambiente . Esta estava embrulhada em plástico , a capa era uma moçoila cheia de saúde numa pose sugestiva trajada com uma espécie de fato de banho de renda reduzidíssimo , e a primeira letra do nome da revista era um M , que me pareceu idêntico ao da Maxim ou Maxmen , publicações que  costumam cumprir bem a função. Só quando cheguei ao barco é que vi que afinal não era , e ainda me estou a rir . Imaginem se conseguirem três gajos estrangeiros de aspecto “duro” , a comprar uma carga de comida para um barco , a pagar com notas de cem dólares e a confirmar a identidade com o passaporte e cara de mau , uns verdadeiros aventureiros , e o último item do carro de compras era o equivalente local da Máxima ou Marie Claire.

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